
Sempre esteve presente no condomínio hibernando silenciosamente entre os moradores aguardando o hospedeiro ideal; aquele que reúne em um único ser todos os ingredientes necessários para em um momento propício iniciar seu ataque contaminando em primeiro lugar os chamados afins antes de se espalhar pelo tecido condominial.
Até aí, o síndico e sua gestão atribui o mal estar que começa a circular de forma embrionária a uma falha de comunicação. Toma a iniciativa profilática de verificar o quadro geral corrigindo rotas, aplicando treinamento e reciclagem dos colaboradores internos e externos e intensificando os boletins informativos com dados administrativos do dia a dia do condomínio.
Todavia, quando o organismo condominial não é forte o suficiente, e seu sistema imunológico ainda não desenvolveu o anticorpo necessário, os ataques oriundos de várias frentes causam uma infecção generalizada, podendo levar o síndico e sua gestão ao colapso.
O condovírus em sua fase aguda de contaminação provoca inúmeros sintomas. Vai desde um entorpecimento da razão, até a um quadro de delírio coletivo, onde falsas soluções são vendidas como fórmulas miraculosas.
Em tempos da chamada “liberdade de expressão”, o condovírus antes um incômodo de menor proporção, ganhou musculatura com o emprego de ferramentas digitais, deixando especialistas, advogados e síndicos profissionais, ou não, aturdidos.
Mas o que fazer diante do condovírus? Como ele surge e contamina? E o principal: Há vacina?
Antes do surgimento e proliferação das redes sociais a convivência com o desrespeito e falta de educação e urbanidade era em sua grande maioria resolvida em reuniões ou assembleias presenciais, onde o olho no olho fazia prevalecer ao final do debate o bom senso. Infelizmente o mau uso da tecnologia acabou gerando um terreno fértil e tentador para ataques virulentos, levando muitos síndicos e profissionais do mercado a sofrimentos de toda ordem.
Sabemos que o condovírus sempre esteve presente no organismo condominial e como era o seu tratamento; como ele causa desequilíbrio na era digital camuflado de “liberdade de ideias e opiniões.” Indo direto ao ponto: Qual é a vacina?
Conhecer o condomínio. Como? Estudando a sua origem, suas características, sua trajetória histórica através da sua certidão de nascimento chamada convenção, suas normas internas e, principalmente, seu diário: as atas onde são registradas as decisões, anseios, expectativas, sonhos e frustrações dos condôminos.
Vencer a barreira da ilusão de que hoje é possível administrar um patrimônio individual e comum reunindo de forma amadora um grupo de pessoas “abnegadas”. Um verdadeiro “mutirão” de interesses nem sempre convergentes e confessados, dando origem aos puxadinhos irregulares.

Rosemere Brandão
Rose Brandão é formada em Administração de Empresa pela FMU. Curso Avançado na Lobão Advogados Associados sobre aspectos do universo condominial. Certificada em Administração de Condomínios pelo Secovi. Atua como Gestora de Condomínios e Síndica Profissional na RS Condomínios.



